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Eliphas Levi

É a confiança dos discípulos que faz a autoridade do Mestre. Se um discípulo duvida da infalibilidade do Mestre não deve ir mais a escola. É a confiança cega dos soldados que faz a força do general. Um soldado que crê que seu general erra, está na véspera de desertar. Os soldados obedientes são a força dos exércitos; os soldados razoadores e refratários são a sua debilidade. Para ser Mestre há que saber fazer-se obedecer. E, para isto, há que magnetizar as multidões.

Lytton

Considere os mais simples elementos do saber comum. Pode cada discípulo converter-se em mestre, somente por meio do seu desejo e da sua vontade? Pode o estudante chegar a ser Newton, apenas por ter comprado uma geometria? Pode um jovem, porque as Musas o i nspiram, prometer-se igualar o Homero? Pode aquele pálido tirano, por mais que registre todas as leis e os pergaminhos antigos e por mais que conte com as armas do seu exército, confeccionar uma constituição menos viciosa, que não venha a ser derrubada, num momento, por um populacho frenético? Quando, naquele tempo remoto, a que me referi, um estudante aspirava à elevada altura que você quis alcançar de um só salto, tinha que se preparar e exercitar-se desde o berço para a carreira que devia seguir. A natureza interna e externa se fazia visível à sua vista, ano após ano, à medida que progredia. Ele não era admitido à ini ciação prática senão quando nenhum desejo terrestre encadeava a sublime faculdade, a que se dá o nome de Imaginação, quando nenhum desejo carnal anuviava a essência penetrante, chamado Intelecto. E, assim mesmo, quão poucos, e isto dos 4melhores, alcançavam o último mistério!Com mais felicidade do que eles chegavam os seus antecessores às santas glórias, cuja mais consoladora porta é a Morte!Zanoniinterrompeu-se, e uma nuvem de tristeza e reflexão obscurecia a sua celestial beleza.- E há, realmente, além de sie Mejnour, outros que pretenderam possuir os mesmos atributos e atingiram os mesmos segredos que você?- Existiram outros antes de nós, mas, agora, apenas nós dois, desse número, ficamos vivendo neste mundo.- Impostor! Você se traia simesmo! Se aqueles outros triunfaram da Morte, porque deixaram de existir?- Filho de um dia! - respondeu Zanoni, com tristeza; - não lhe disse já que o erro da nossa ciência era o esquecimento dos desejos e das paixões que o espírito nunca pode alcançar total e permanentemente, enquanto esta matéria carnal o envolve? Pensa que não é triste renunciar a todos os laços humanos, a toda a amizade, a todo o amor, ou ver, dia após dia, desaparecer da nossa vida os afetos, a amizade e o amor, como se desprendem as folhas da haste? Admira-se de que, com o poder de viver tanto tempo quanto durar o mundo, muitos dos nossos preferiram morrer? Antes deveria admirar-se que existiam ainda dois seres tão fortemente aderidos à terra! Pelo que toca a mim, confesso que o mundo ainda tem atrativos. Tendo eu chegado aos últimos segredos, quando me achava na flor da juventude, a juventude faz brilhar com suas belas cores tudo o que me rodeia; respirar é ainda prazer para mim. A frescura, ao meu ver, conserva-se sempre no semblante da Natureza, e não há erva em que eu não descubra algum encanto, e que não me revele alguma nova a maravilha.O mesmo que sucede com a minha juventude, dá-se com a idade madura de Mejnour; este lhe diria que a vida para ele não é mais do que o poder de examinar; e que, enquanto não tiver esgotado todas as maravilhas que o Criador semeou na terra, não desejará novas habitações onde o seu renovado Espírito possa seguir explorando. Nós somos os tipos das duas essências do que é imortal:a Arte, que goza, e a Ciência, que contempla! E agora, para que esteja contente de não haver chegado a obter os segredos, saiba que a idéia deve estar tão absolutamente despreendida de tudo quanto é capaz de ocupar e excitar os homens, que é preciso viver sem cobiçar, amar ou odiar alguém ou alguma coisa; compreende que, para um homem ambi cioso ou para quem ama ou odeia, aquele poder é inútil. E eu, por fim, ligado pelos mais comuns laços da vida doméstica, em conseqüência da que a minha vista espiritual está obscurecida, eu, cego e sem auxílio, peço-lhe a ti, homem burlado e descontente, peço-lhe que me dirija, que me guie:onde estão a minha mulher e meu filho? Ah! Diga- me, fale! Cala-se? Oh! Veja, agora, que não sou feiticeiro nem espírito malévolo? Eu não posso dar- lhe o que as suas faculdades lhe negam, não posso acabar o que o impassível Mejnour não pôde conseguir; porém posso fazer-lhe outro presente, talvez o mais belo, posso reconciliá-lo com o mundo quotidiano, e estabelecer a paz entre você e a sua consciência.- Você me promete?- Sim; juro-lhe!Glyndon fitou Zanonicom firmeza, e acreditou nele.

Eliphas Levi

A humanidade está colocada sobre uma escada imensa cujo pé submerge-se nas trevas e cujo cume oculta-se na luz. Entre estas duas extremidades, existem inúmeros degraus.

Eliphas Levi - magnetismo

O magnetismo, no homem, é irradiação e atração físicas, determinadas numa direção pela força moral.

Henri Durville

Se podemos receber dos seres que nos rodeiam, assim como do próprio ambiente no qual vivemos, forças puras, ativas e construtivas, o fato inverso pode ser produzido.

Gustavo Le Bon

Gustavo Le Bon exprime esta verdade procurando estabelecer as leis psicológicas da evolução dos povos:   "O poder de um povo não depende de sua inteligência, mas de seu caráter. A inteligência permite perscrutar os mistérios da natureza e utilizar as suas forças. O caráter aprende a se conduzir e a resistir, vitoriosamente, às sugestões."   Acrescenta algures: " As qualidades do caráter, cujo conjunto constitui a alma nacional de um povo, são formadas pelas lentas acumulações ancestrais: Elas terminam por constituir um agregado muito estável de sentimento, de tradições e de crenças, codificando, através das idades, as necessidades às quais é submetida a vida de cada nação."

Henri Durville

Sobe e adquirirás o poder sem limites. Reinaras sobre o que pode emocionar o ser em todas as suas partes, mas esse poder, ao mesmo tempo perigoso e magnífico, o ocultarás preciosamente e não o confiarás senão a pessoas seguras. É o segredo dos Sábios.

Salomão

" Aquele que é lento na cólera é superior ao mais poderoso, e aquele que governa o seu espírito é mais forte do que aquele que toma uma cidade."

Heitor Durvile diz, no seu Magnetismo Pessoal

" Os pensamentos não nos pertencem propriamente; eles nos são comunicados; vêm-nos de fora e nós os absorvemos, transformando-os segundo os nossos desejos, as nossas necessidades e tendências. Esta verdade se acha justificada por uma locução popular notável. Assim, falando de um estado de coisas determinado, ouve-se muitas vezes dizer: Estas idéias estão no ar, querendo dizer, com isso, que um grande número de indivíduos pensam ao mesmo tempo num assunto idêntico.” " É fora de dúvida que os pensamentos se comunicam de um indivíduo a outro. Assim, na família, por exemplo, se um indivíduo pensa em uma coisa e a anuncia a outro, recebe, muitas vezes, uma resposta análoga a esta: Ora veja, eu pensava nisso e ia falar-te. Se não queremos fazer intervir o acaso — que não existe — é impossível admitir que o mesmo pensamento tenha nascido nos mesmos cérebros ao mesmo tempo; ele desenvolveu-se em um, para se transmitir ao outro, através do espaço."

Henri Durville

O Iniciado deve conservar-se sempre senhor dos seus desejos, de suas emoções, de seus pensamentos. — Necessidades de nos educarmos. — Os ritmos superiores e como percebê-los. — Senhor de si mesmo, o Iniciado tornar-se-á facilmente senhor dos outros. — A polarização voluntária de nosso magnetismo. — Os altos poderes do Adepto. — O segredo dos Sábios.   O pássaro que acaba de deixar o ninho, sente, de repente, diante de si, a grandeza de seu domínio. Parece-lhe que essa extensão azul, que não tem limites, lhe pertence, e que as forças que ele vai desprender são tão vastas como a imensidade do céu livre. Lança-se nesse azul em um arrebatamento de alegria tumultuosa; sente que as suas asas são fortes, que a resistência do ar é antes um apoio do que uma causa de esforço; sua alegria o transporta; lança ao ar o seu canto embriagado; acompanha-o uma doce melodia na sua ascensão para o sol; todo o universo não é para ele senão luz, música e prazer.

Henri Durville

Segundo Descartes, o pensamento é o atributo essencial do espírito; melhor ainda: é a sua própria vida. Sem o pensamento, o consciente e o inconsciente seriam como o corpo sem. força vital; seriam como se não existissem.

Henri Durville - sobre temperamentos

Esta situação seria inquietante se não fosse possível reagir contra o nosso temperamento e se devêssemos submetê-lo durante todos os anos que nos é dado viver neste mundo. Felizmente, se devemos considerar cada temperamento como um estado mais ou menos durável de um desequilíbrio, não o devemos ver senão como um fundo hereditário que nos predispõe a tal ou tal categoria de fenômenos, sem nos constranger, todavia, com o rigor de uma lei. O temperamento nos deve aparecer como uma predisposição doentia que corresponde não somente aos nossos próprios desvios de regime e de conduta, porém, mais ainda, às faltas que foram cometidas pelos nossos ascendentes e que nos foram transmitidas com o seu sangue. De erros em erros, o homem está afastado da Natureza; abre a porta a todos os desequilíbrios pela má direção que impôs à sua vida. Primeiramente, no ancestral em quem a saúde começou a enfraquecer, a intoxicação aparece, benigna muitas vezes, a menos que não tenha tomado cuidado; porém a higiene defeituosa não cessou por isso; do contrário, o luxo e o bem-estar cresceram na família, aí criando novas necessidades; o que era intoxicação passageira passou a ser tara transmissível aos descendentes. E esta tara que herdamos que constitui o temperamento e que dá à nossa pessoa e aos nossos pensamentos todas as formas e tendências que descrevemos. O Dr. Gastão Durvil e diz, a esse respeito, em sua Cura Naturista, e muito judiciosamente: " Cada um dos temperamentos me aparece nitidamente como sendo a conseqüência da vida antinatural entre os ascendentes; contém as suas taras sob a forma de predisposições doentias; contém um mundo especial de defesa, um modo de adaptação contra essas taras". O temperamento é, pois, posto que inato, uma coisa anormal que deve ser disciplinada e combatida; devemos considerá-lo como uma predisposição doentia e nos esforçamos por diminuir os seus efeitos. O Dr. Gastão Durvil e acrescenta na obra já citada: " O temperamento, pelo fato de ser um modo de resistência à enfermidade e um terreno predisposto a certa variedade de misérias, é por si mesmo, uma verdadeira doença. Porque a doença deve ser considerada como um esforço que tenta a natureza para restabelecer o seu equilíbrio perturbado. O temperamento é o terreno orgânico sobre o qual evolucionam todas as nossas moléstias; é dele que depende a nossa resistência para os micróbios, é ele que Indica, antecipadamente, quais os órgãos que devem estar doentes antes de outros, é ele que edifica os traços gerais da nossa mentalidade e marca a duração aproximativa da nossa vida". (Cura Naturista, pág. 95).   É, pois, necessário combater o temperamento e temos possibilidades para isso. Podemos sempre vir a ser menos nervosos pela cultura da nossa personalidade psíquica. No que concerne aos quatro temperamentos constituídos sobre base orgânica (linfática, sangüínea, biliosa e atrabiliária) podemos sempre melhorá-los, curar ao menos parcialmente o que há de defeituoso nas suas tendências, por meio de um regime apropriado. É um fato que não poderia ser posto em dúvida. Em nosso Curso de Magnetismo Pessoal indicamos a linha de conduta que cada um deve seguir, tanto sob o ponto de vista psíquico, como sob o ponto de vista orgânico. Indicamos essa obra aos nossos leitores que estão desejosos de mais amplos detalhes a respeito. Na sua Cura Naturista, o Dr. Gastão Durvil e retomou a questão sob outro ponto de vista e chegou aos mesmos resultados; indica cuidados e um regime para combater cada temperamento, reformar as suas predisposições e, por esse meio, chegar ao equilíbrio, sem o qual não há saúde durável.

Eliphas Levi

As mulheres irradiantes são as inspiradoras ou os flagelos dos homens débeis e as mulheres absorventes são as Dalilas dos homens fortes.

Eliphas Levi

Um homem sem paixões não é nunca um magnetizador; porque não um foco de embriaguez; pode acalmar, porém não excita. Os verdadeiros apóstolos da razão jamais fizeram prosélitos; a vantagem que tem sobre os demais é que, se não arrastam a ninguém, ninguém tampouco os arrasta.

Henri Durville - as quatro fases do Henriquenem na natureza

Resumindo, diremos, pois, que o linfático representa a infância, a primavera; que o sangüíneo corresponde à juventude, ao estio; que o biliário tem as características do outono e da idade madura; e que o atrabiliário apresenta os sinais da velhice e do inverno.

Henri Durville

Estais em condições de não querer senão aquilo que vos for realmente útil e isso não vos será recusado. Não duvideis! A vida tem reações com as quais aquele que pagou a sua dívida tem o direito de contar. Não acrediteis que a vossa mágoa possa ficar indelével. Que seria um mundo lamentável onde o inverno fosse eterno? O pensamento mais pessimista não chega a esta imagem. As mais desoladas, as mais desertas regiões têm uma primavera cheia de doçura e o edelweiss desdobra a sua estrela de veludo branco à margem das neves eternas. Se assim é, se a mais humilde flor pode dar um doce sorriso no deserto de gelo, por que recusaríeis a vida que vos conduz para o sol, para as regiões radiosas onde floresce a rainha das Rosas? Isto se torna mais fácil para vós que conheceis a causa do vosso mal, para vós que podeis prever e evitar as armadilhas mais sinistras. Subi com calma para os cimos cheios de luz, vós para quem o Verbo embalsama as flores. Visitou-vos uma esperança indefectível. Acolhei-a como uma amiga. A sua voz melodiosa canta para vos guiar sobre o vosso caminho, para vos dirigir para os bens que não podíeis imaginar, diante dos quais tudo o que vos agradou paracer-vos-á cinza e poeira. A primavera de uma felicidade sem mácula é levada ao vosso coração. Procurai-a, cheio de confiança. O direito à felicidade brilha para todos os seres; não vos será recusado.

Henri Durville

Ides entrar no Círculo iniciático. Lá somente sentir-vos-eis bem' e podereis trilhar a única estrada para a qual sereis atraído. Lá está a Senda que conduz à Perfeição e, desde o instante em que a perfeição vos parece ser o objetivo da vida, todo o vosso ser se sente atraído para o meio mais propício à sua expansão. Vossos irmãos esperam a vossa vinda. Alguns são mais adiantados do que vós e estareis junto deles como um irmão mais novo. Aproveitareis da sua força, da sua doçura, de sua sombra. Sofrestes em um solo árido, entre a multidão malvada, e essa frescura ser-vos-á doce. Permutarão convosco a confidencia de seus trabalhos e as palavras de sua amizade serão para vós o canto dos pássaros na floresta cheia de sombra. Olhai em torno de vós, com olhos fraternais e, como na floresta vistes o lento e paciente trabalho de tudo o que vive, das formigas que unem as suas forças para o arrastar de um grão aos seus celeiros subterrâneos, sentireis que tudo trabalha e que esse trabalho é abençoado, porque está conforme com a Lei universal, que faz de cada ação isolada uma parcela do Trabalho total.

Henri Durville

Não edifiqueis nunca as vossas alegrias sobre a dor de outrem! O único sofrimento que pode e deve ser aproveitado é o vosso, quando o aceitais voluntariamente. O pássaro, porém, inocente, tem necessidade de voar no espaço; a flor tem necessidade da haste que faz elevar ao seu frágil coração todas as seivas da terra. Se fazeis do pássaro um escravo e da flor um cadáver, tereis mais prazer? A flor tem necessidade de vir a ser fruto para espalhar a vida e tudo aquilo que sofre violência não pode conhecer senão a morte. E, se não tendes o direito de dispor da flor nem do pássaro, com que direito dispondes dos seres humanos? Tendes outra coisa além dos deveres para com os objetos de vossa ternura? A flor e o pássaro têm de cumprir o ciclo de sua evolução. Os seres que vos estão submetidos esperam de vós a direção e o apoio que pedis aos vossos irmãos. Auxiliai toda criatura a atingir a perfeição, não segundo o vosso desejo, mas segundo a sua própria natureza. Se cada a criatura tem necessidade de vós, cada um vos dá um exemplo.

Henri Durville

O pássaro que paira longe do solo ensina-se a abrir as asas do espírito, a vos desprender da matéria, a fugir de toda cupidez, para não procurar senão o Absoluto, único fim dos desejos de um Iniciado. A árvore da floresta dar-vos-á o exemplo dessa alta Fraternidade. Ela não olha quem se deita sob a sua sombra antes de esparzir os seus úmidos perfumes. Abriga mesmo o lenhador que a abaterá. Vede como a árvore se faz doce para o fraco ninho que embala. Sede doce para com o fraco; socorrei todo infortúnio. Fazei-o materialmente, se vos é possível. Se não, tende sempre uma palavra consoladora que possa soerguer os ânimos, palavras que levem a Doçura e a Paz aos corações mais cansados e mais perturbados. Que a vossa Iniciação renove a vossa vida. Começai um novo ciclo, porém em condições bem diferentes de toda a vossa vida passada. Não estais mais só e haveis sofrido vitoriosamente experiências que vos deram o sentimento consciente de vossa força. Estais agora semelhante ao metal que passou pela forja; semelhante ao grão selecionado que não pode dar senão plantas escolhidas. A vossa Iniciação não vos despertou para uma satisfação pessoal, mas para que vos torneis uma força benéfica em toda ordem interior ou social. Sois a árvore que vai dar folhas e frutos para todos! O céu de primavera é, por vezes, ainda obscurecido pelas nuvens imprevistas. Esperai ainda, esperai e trabalhai. Em breve, os raios se farão mais quentes e o sol mais imperioso. Vereis o céu sem nuvens. Todas as flores expandir-se-ão na Natureza em festa. Então o vosso Espírito, em plena posse de todos os seus poderes, conhecerá o esplêndido Verão. A grande comunhão do Sol, da Natureza e da Vida achará na vossa alma a sua expansão completa. Como as névoas da primavera, as vossas últimas dúvidas fugirão ao esplendor da Luz. Marchai na vossa Vida, novo Iniciado, meu irmão! Escolhestes este caminho. Estais afastado das estradas batidas. Não sois mais esse escravo que os redemoinhos da torrente arrastava, quando se quebravam em escuma inútil. Canalizastes a vossa força. Vencestes às paixões e os interesses mesquinhos. Escolhestes a Luz e, sem cessar, vós elevais para ela. Imitai a arvore que escolhestes para modelo. Não renuncieis a nenhum desses laços que vos enraízam fortemente aos vossos deveres. Mas, com todo o arrebatamento de vossas forças, estendei os braços para as altas Esferas onde brilha a verdade eterna Lá na Harmonia Universal, banhareis a vossa alma na fonte mística é real que esparge até nós a Força, a Alegria e a Saúde.

Lytton

Ah! Jovem caldeu! Jovem nos seus inumeráveis anos,- Jovem como quando, insensível ao prazer e à beleza, habitava a velha Torre do Fogo, escutando como o silêncio das estrelas lhe explicava o último mistéri o que desafia a Morte, teme a Morte agora, finalmente? Não é o seu saber mais do que um círculo que torna a trazê-lo ao ponto onde começou a sua jornada? Gerações após gerações desapareceram desde que nós dois nos encontramos. Olha! Estou outra vez diante de ti!- Mas eu o olho sem medo! É verdade que têm perecido milhares de homens ao avistá-lo; é verdade que onde os seus olhos irradiam o seu fogo, deitam abomináveis venenos no coração humano, e a 9sua presença sepulta o infeliz que você sujeita à sua vontade, nas espirais de uma alucinação, ou o leva ao negro calabouço do crime e do desespero; porém, comigo o caso é diferente:não é meu vencedor, mas é meu escravo!- E como tal o servirei! Manda ao seu escravo, ó formoso caldeu! Escuta os gemidos de mulheres! Ouve os agudos gritos da sua amada! A Morte entrou no seu palácio! Adonainão comparece à sua voz. Os Filhos da Luz Celeste descem aos humanos somente quando nenhuma sombra de paixão e da carne perturba o olhar da Serena Inteligência. Porém, eu posso ajudá-lo! Escute!E Zanoniouviu distintamente no seu coração, apesar da distânci a, a voz de Viola que, em seu delírio, chamava pelo esposo amado.- Oh! Viola, eu não possa salvá-la! - exclamou o vidente, com voz angustiada; - o amor que lhe professo me desarmou!- Não é assim, - disse-lhe a horrível aparição; - eu posso conceder-lhe o meio de salvá-la. Eu posso pôr em sua mão o remédio que lhe dará as necessárias forças para vencer a crise e viver!- O seu remédio salvará ambos, a mãe e o filho?- Sim! Zanoniestremeceu; uma grande luta deu-se no seu íntimo, depois da qual sentiu-se débil como uma criança:a Humanidade e a Hora venceram o seu espírito.- Cedo! Salve a mãe e o filho! - exclamou, por fim.No obscuro quarto, estava Viola na cama, nas mais agudas agonias do parto; a vida parecia esgotar- se com os gritos e gemidos que, no meio do delírio, revelavam seus sofrimentos; e sempre ainda, nos gemidos e gritos chamava o seu querido Zanoni. O médico olhou o relógio; o Coração do Tempo batia com sua tranqüila regularidade, o Coração que nunca simpatizou com a VIDA, nem se abrandou ante a Morte.- Os gemidos estão cada vez mais fracos, - murmurou o médico; - em dez minutos, tudo terá acabado.Insensato! Os minutos riem de ti; a Natureza, neste mesmo instante, como o céu azul através de um templo arruinado, sorriatravés do torturado corpo. A respiração torna-se mais calma e regular; a voz do delírio se cala e um doce sono reparador se apodera de Viola. É um sonho ou é uma realidade que a sua alma vê? Parece-lhe, de repente, que está ao lado de Zanoni, e que a sua cabeça ardente se apoia ao peito do esposo; parece-lhe que, enquanto ele a contempla, os olhos do seu amado dissipam as dores que dela se apoderaram, e que o contato da sua mão refrigera a sua testa, tirando-lhe a febre. Viola ouve a voz do esposo que murmura, é uma música que afugenta os inimigos. Onde está a montanha que parecia oprimir as suas fontes? Esse peso cruel desaparece como um vapor açoitado pelo vento. No meio do frio de uma noite de inverno, vê aparecer o sol, sorridente, no céu sereno, ouve o murmúrio das verdes folhas; o belo mundo, os vales, as correntes e as florestas se apresentam à sua vista e parecem dizer-lhe, numa linguagem natural: --Ainda existimos para ti!-- Homem de drogas e receitas olha o seu vaticínio! Olha o relógio:o primei ro continuou andando e os minutos se sepultaram na Eternidade; a alma, que a sua sentença teria despedido, permanece ainda nas praias do Tempo.Viola está dormindo; a febre cede; as convulsões não se repetem; a rosa viva torna a florescer na sua face; passado a crise! Homem, a sua mulher vive! Amante, o seu universo não é solidão! Coração do 9Tempo bate! Um momento mais, um pequeno instante, e que alegria! Que alegria! Pai, abraça o teu fi lho!